domingo, 6 de março de 2011

JESUS E SEUS ASPECTOS HUMANOS

DÉCIMA NONA PARTE
O SUBLIME PEREGRINO
JESUS E SEUS ASPECTOS HUMANOS

PERGUNTA:- Em vista de existirem tantas efígies de Jesus, em pinturas e esculturas, segundo a inspiração de cada artista, isto nos impede de conhecermos asa características exatas ou a expressão da fisionomia do Mestre e do seu porte físico. E visto que o conhecestes pessoalmente, podeis informar-nos a tal respeito?
RAMATÍS:- Jesus era um homem de estatura alta, porte majestoso, de um perfil clássico, hebraico, mas singularmente, também possuía alguns traços imponentes de um fidalgo romano. Delicado NASA formas físicas, porém exsudava extraordinária energia à flor da pele, pois naquele organismo vibrátil as forças vivas da Natureza, aliadas a um potencial energético incomum do mundo etéreo astral, denunciavam profunda atividade mental. A testa era ampla e suavemente alongada; seu rosto triangular, mas cheio de carne, sem rugas ou mancha até aos dias da crucificação. Os lábios, bem feitos, com suave predominância do inferior, nem eram excessivamente carnudos, próprios dos homens sensuais, nem finíssimos e laminados, que lembram a avareza e a dissimulação. O nariz era reto e delicado, sem qualquer curvatura inferior que trai o homem de mau instinto; a barba espessa, um pouco mais escura do que os cabelos, caprichosamente separada ao meio e curta, tornando Jesus o perfil de um dos mais belos homens do mundo.
O psicanalista moderno teria identificado em Jesus a figura do homem ideal, de fisionomia atraente e de uma expressão ao mesmo tempo meiga e enérgica, suave e séria, cujos lábios angélicos bem recortados, mal escondiam o potencial de um Gênio! Seus olhos eram claros, afetuosos e sumamente ternos, mas sempre dominados por uma expressão grave e melancólica; emitiam fulgores, às vezes inesperados, quando Ele parecia ligar-se subitamente às potências superiores. Então se tornavam quase febris, de um brilho estuante de energia moral. Sem dúvida, era o olhar do anjo verberando a maldade e o cinismo dos espíritos satânicos, que tentavam subverter a vida humana, atuando do mundo oculto. No entanto, malgrado esse tom energético de admoestação espiritual severa, jamais desaparecia do seu semblante a expressão de mansuetude e de imensa piedade pelos homens!
A sabedoria e o amor refletiam-se nele na mais pura harmonia. Diante do insulto, do sarcasmo ou da crueldade, seus olhos revelavam uma divina paciência e serenidade. O sábio cedia seu lugar ao anjo apiedado da ignorância humana. Quantas vezes o motejador que ironizava a aparente ingenuidade da filosofia de Jesus não conseguia suportar-lhe o olhar de compaixão, repleto de ternura e piedade para com aquele que não podia compreendê-lo! Era uma doçura queimante na consciência dos sarcásticos, pois sentiam a descobertos, no recôndito da sua alma, todos os seus pecados.
As criaturas curadas por Jesus, diziam que o fulgor de seus olhos penetrava-lhes a medula, qual energia crepitante, transmitindo-lhes misterioso potencial de forças desconhecidas e fazendo eclodir em seu corpo a vitalidade adormecida. Os malfeitores e delinqüentes não escondiam o seu terror diante desses mesmos fulgores veementes, que lhes punham a descoberto na alma o cortejo de vícios, pecados e hipocrisias. Raros homens não se prostravam de joelhos, diante de Jesus, clamando perdão para os seus erros, quando, esmagados pelos pecados, erguiam-se aterrorizados ante a voz imperiosa que lhes dizia:- “Vai e não peques mais”.
No seio da massa heterogênea diante do Mestre, o curioso estava junto ao discípulo atento; e o cínico ensaiava os seus motejos para perturbar o discurso.
Mas o olhar de Jesus, quanto aos que ali estavam com más intenções, penetrava-lhes a alma, devassando-lhes os turvos pensamentos à luz de sua divina compaixão.  Então, os perturbadores assalariados pelo Sinédrio, retiravam-se apreensivos ou mantinham-se em silêncio, baixando a cabeça ao defrontarem o fulgor daquele olhar tão sereno, mas severamente interrogativo e flamejante quando atingia uma consciência subvertida!

PERGUNTA:- Os nosso pintores geralmente apresentam Jesus com um fisionomia essencialmente feminina, olhos grandes e rosto redondo, que nada se parece com o tipo semítico de que ele descendia. Porventura seria a predominância dos traços herdados de Maria, que a tradição diz ter sido uma mulher de rara formosura?

RAMATÍS:- Imaginai um edifício moderno, com o seu arcabouço esquio, mas sólido, porque as suas veias são o aço incursável; suas linhas são severas e nítidas; os contornos singelos, mas impressionantes. No entanto, nesse todo de simplicidade, a decoração e a iluminação revelam aspectos delicadíssimos, em que as cores translúcidas e os suaves matizes completam a beleza do conjunto. À noite, todo iluminado, a sua figura recortada no espaço faz realçar a sua beleza poética por entre as luzes refulgentes e policrômicas.
Jesus herdara do pai asa linhas firmes e energéticas, que lhe davam o aspecto viril; no entanto, através daquela energia e masculinidade, transparecia a beleza radiosa de Maria, cujas feições delicadas, semblante sereno e profundamente místico, justificavam a fama de ser a mais linda esposa da Galiléia! A sabedoria do Alto aliara a energia e a sensatez de José à bondade e à beleza de Maria, cujo fascínio radioso de encantadora boneca de porcelana viva, transparecia na figura atraente do Mestre, acendendo a chama do amor nos corações de muitas mulheres desavisadas da missão grandiosa do sublime nazareno.
O Mestre3 Jesus, portanto, além da simpatia que irradiava, era um moço extremamente belo, cujo andar denunciava a sua majestade angélica, pois havia em seu todo, uma faceirice dos céus! Tudo nele enternecia; a sua palavra era uma esperança para quem o ouvia, pois a graça e a ternura feminina tinham-se conjugado à virilidade masculina. A beleza do anjo confundia-se com a grandeza do sábio!

PERGUNTA:- Os cabelos de Jesus eram louros ou escuros?
RAMATÍS:- Ele possuía cabelos de um louro amendoado, formando as tradicionais volutas ou cachos que lhe caíam pelos ombros à moda nazareno. Nas tardes de céu límpido, em que o vento deslizava suavemente encrespando o dorso dos lagos da Galiléia, Jesus costumava sentar-se nos barcos ali ancorados, a fim de descansar. Quando o poente se tingia de púrpura e de lilás, e os tons esmeraldinos se confundiam com os raios dourados do sol, então seus cabelos fulgiam nesse fundo paradisíaco, cuja cor de amêndoas parecia chamejante, emitindo reflexos fulvos e punha em destaque a beleza angélica de seus traços fisionômicos.
Após a exaustão da puxada das redes e da colheita do peixe, os rudes pescadores exultavam esperançosos de um mundo feliz e acercavam-se de Jesus, para ouvirem-no em suas prédicas consoladoras. Quem era aquele homem tão formoso e de sabedoria tão incomum, cuja eloqüência hipnotizava os seus ouvintes e os fazia sentirem-se num reino de Bondade e de Amor, onde os pobres e os sofredores viveriam eternamente felizes adorando o seu Criador?

PEERGUNTA:- Em face da tradição religiosa, fica-se com a impressão de que o Mestre Jesus tinha uma vida excêntrica, absolutamente introspectiva sendo avesso a qualquer emotividade do mundo. Estaremos equivocados a esse respeito?

RAMATÍS:- Jesus era dotado de um temperamento sereno e equilibrado no contato com as criaturas humanas, pois embora vivesse sob profunda tensão espiritual interior, em face do potencial angélico que lhe oprimia a carne, sabia contentar-se e ninguém pôde-lhe apontar gestos e atitudes de cólera por sentir-se ofendido ou desatendido. Era um homem excepcional; porém, sujeito a todas aas necessidades fisiológicas do corpo físico, mas de uma vida regrada inconfundível.
Ele não se negava às relações sociais e comuns com o mundo exterior, nem verberava a alegria e o divertimento humanos. Participava gentilmente das festividades e tradições religiosas do seu povo, mas o fazia sem os exageros entusiásticos das almas infantis. Expressava o suave sorriso de Maria nos júbilos domésticos ou nos reencontros afetivos, mas jamais se excedia na gargalhada descontrolada ou no choro compungido do sentimentalismo humano. Ante asa cenas humorísticas, mas cheias de simplicidade das festas regionais de sua terra natal, sua fisionomia era tomada de um sorriso tolerante e, por vezes, travesso; mas diante das cenas cruéis, como as das crianças escravizadas, cegas e vítimas de queimaduras nos trabalhos escravos das fundições de Tiro, a piedade fazia-lhe estremecer o corpo delicado, ou então se angustiava, batido pelo vendaval agressivo da maldade humana. O suor umedecia-lhe a fronte e a palidez tomava-lhe as faces, ao contemplar o panorama aflitivo das misérias e das atrocidades do mundo!

PERGUNTA:- Alguns investigadores da vida de Jesus dizem que ela era lago enfermo, mesmo sujeito a alucinações. E que adotava rigorosa dieta alimentar. Há fundamento nessa afirmativa?
RAMATÍS:- Embora não tenham fundamento os exagerados jejuns de quarenta dias no deserto, que também lhe foram atribuídos, ele realmente socorreu-se, algumas vezes, do jejum absoluto, como delicadíssima terapêutica para conservar seu espírito no comando da carne. Não se tratava de nenhuma prática iniciática ou obrigação religiosa; era apenas um recurso sublimado e admissível em entidade tão excelsa como Jesus, cuja consciência angélica ultrapassava os limites da suportação comum de um organismo humano! O jejum desafoga a circulação sangüínea dos tóxicos produzidos nas trocas químico-físicas da nutrição e assimilação; debilita asa forças agressivas o instinto inferior, aquieta a natureza animal, clareia a mente e o sistema cérebro-espinhal passa a ser regado por um sangue mais límpido.
Durante o repouso digestivo, a natureza renova suas energias, restaura os órgãos enfraquecidos, ativa o processo drenativo das vias emuntórias, por onde se expulsam todos os tóxicos e substâncias prejudiciais ao organismo. É obvio que o jejum enfraquece, devido à desnutrição, mas compensa porque reduz o jugo da carne e desafoga o espírito, permitindo-lhe reflexões mais lúcidas e intuições mais certas.
Durante o enfraquecimento orgânico pelo sofrimento, ou jejum, as faculdades psíquicas se aceleram e a lucidez espiritual se torna mais nítida, conforme se verifica em muitas criaturas prestes a desencarnar, pois recuperam sua clareza mental e rememoram os mais longínquos fatos de sua existência humana, desde a infância. A queda das energias físicas costuma proporcionar maior liberdade à consciência do espírito; há uma tendência inata de fuga da alma, para fugir do seu corpo físico, assim que ele se enfraquece. Diz o vulgo que as criaturas, no auge da febre, costumam “variar”, isto é, são tomadas de alucinações, chegando mesmo a identificar conhecidos que já desencarnaram, assim como vêem figuras grotescas, insetos ou coisas estranhas, que não são do mundo material.
Assim, o jejum também era para Jesus o recurso benéfico com que contemporizava a excessiva tensão do seu próprio Espírito na carne. Sua fabulosa atividade mental provocava excessivas saturações magnéticas na área cerebral; seu corpo embora sensibilíssimo e hígido em todo o seu sistema orgânico era acanhadíssimo veículo para atender às exigências de sua extensa consciência sideral. Os neurônios e centros sensoriais permaneciam continuamente num estado de alta tensão, assim como a lâmpada modesta ameaça romper-se pela energia demasiadamente vigorosa que lhe vem da usina.
O Anjo é a entidade mais aproximada dos atributos de Deus, como sejam: a Sabedoria, o Poder, a Vontade e o Amor. Em conseqüência, possui qualidades superiores às do tipo espiritual ainda reencarnável na Terra. O organismo físico não lhe oferecia os recursos necessários para permitir-lhe uma relação perfeita entre o mundo angélico e o material. Mesmo que ele não houvesse sido crucificado aos 33 anos, não teria sobrevivido por muito tempo, pois o seu corpo carnal já se mostrava exaurido e incapacitado para atender-lhe o ato grau de suas exigências mentais.
O Mestre Jesus foi, indiscutivelmente, a entidade da mais alta estirpe sideral que já desceu ao vosso orbe. A sua consciência ampla e poderosa lutava assombrosamente para firmar-se no comando de um cérebro humano. Era um divino balão cativo preso por delicadíssimos fios de seda. Se espírito super ativo e em permanente vigília, envidava heróicos esforços para abafar asa energias estuantes da vida animal, que se multiplicavam na esfera instintiva e tentavam dominá-lo tanto quanto ele as repelia. Inegavelmente, tratava-se de uma consciência angélica de sereno conteúdo espiritual, que deveria proporcionar euforia à carne, mas a sua força, sabedoria e poder, extravasavam pela fronteiras da consciência humana.
Aliás, a tradição religiosa terrena sempre pintou o anjo como a entidade resplandescente, de fulgores ofuscantes. Satanás, como símbolo do instinto animal, dobra os joelhos diante de Miguel Arcanjo, quando é chicoteado pelo excesso de luz que o enfrenta. Embora o Sol seja um potencial criador e benéfico, debaixo dos seus raios ardentes até o “iceberg” se aniquila. Muitos homens célebres do vosso mundo, como poetas, escritores, músicos, escultores e filósofos, têm apresentado fases anormais, mostrando-se perturbados antes a tensão muito acentuada do seu espírito sobre o sistema Nero cerebral. (Vide a obra “Doentes Célebres”, de Gastão Pereira da Silva, da coleção do livro de bolso, etiqueta “Estrela de Ouro em que o autor faz um estudo minucioso sobre diversos homens famosos, anotando-lhes o estado de espírito perturbador, como no caso de Allan Poe, Hoffmann, Dostoievsky, Paganini, Van Gogh, Tchaicovsky, Nietzsche e outros. Aliás, tanto a notícia trágica, como a surpresa e o júbilo da fortuna inesperada podem afetar o cérebro humano ante a carga sem controle que o espírito lança sobre a massa cinzenta.
O dinamismo espiritual fabuloso do Espírito de Jesus, atuando incessantemente sobre a fragilidade do seu cérebro físico, quase o levava à clássica “surmenage”, além de exigir-lhe os mais dificultosos esforços para manter=se no mecanismo vivo da carne. O homem moderno hoje reconquista ou compensa as suas funções mentais e o gasto excessivo de energias no processo fatigante das elucubrações mentais cerebrais, socorrendo-se das medicações energéticas e vitaminadas, principalmente à base de fósforo ou ácido glutâmico. Porém, Jesus, após a exaustão cerebral, sob a tensão mental incomum do seu Espírito, só obtinha equilíbrio e socorro orgânico através da prece e dos fluidos energéticos, que lhe eram ministrados do mundo oculto pelos seus fiéis e devotados amigos espirituais!
A fadiga transparecia-lhe cada vez mais funda no semblante angélico, à medida que se sucediam os anos de sua vida física; por vezes, descoloriam-se-lhes as faces e o suor alforjava-lhe à fronte, enquanto sob intensa sensibilidade o corpo perdia temperatura e parecia açoitado por um vento gélido. Inúmeras vezes os seus discípulos temeram vê-lo cair sem vida, pois o seu generoso coração arfava perigosamente e o corpo estremecia sob o alto potencial angélico.
No entanto, espírito corajoso e vivendo exclusivamente para o Ideal redentorista do terrícola, Jesus tudo fazia para suportar o fardo da carne e continuar em atividade no cenário da Terra, rogando ao Pai que o mantivesse em condições de ultimar sua obra abençoada! O seu espírito, preso por um fio de linha ao diminuto mundo da carne, parecia mil raios de sol convergindo sobre a lente do cérebro precário e atuando sob vigorosa voltagem.  Que seria do frágil moto elétrico, construído para suportar a carga máxima de 120 volts, caso, de súbito, recebesse o potencial de 13.000 volts, diretamente da usina elétrica?
Anjo exilado na matéria, o Alto então lhe oferecera a encantadora moldura feita de luz, cor e poesia de Nazaré, para amenizar-lhe um pouco a condição aflitiva de permanecer algum tempo segregado na carne, no desempenho generoso e sacrificial a serviço da criatura humana!

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